O Partido Liberal (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido liminar para suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, referente à eleição presidencial de 2026. O partido alega que o questionário empregado na pesquisa, divulgada na última terça-feira (19), direciona negativamente os entrevistados ao abordar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o PL, a pesquisa incluiu a reprodução de um áudio em que Flávio Bolsonaro conversa com Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master. A legenda argumenta que oito das 48 questões da pesquisa tratam do suposto envolvimento do senador com o empresário, configurando um “claro induzimento” de opinião.
A petição apresentada ao TSE destaca que a sequência de perguntas — que aborda medo eleitoral, comparação entre Lula e Flávio, fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento direto, impacto no voto e enfraquecimento da candidatura — cria um contexto que vai além da simples medição de intenções de voto. O PL sustenta que essa abordagem pode gerar “manchetes e narrativas de campanha” indevidas, transformando a pesquisa em um meio indireto de propaganda negativa.
Além da suspensão da pesquisa, o PL requer que a AtlasIntel forneça, em até 24 horas, microdados, acesso ao sistema interno da pesquisa, logs, critérios de aplicação e o arquivo original do áudio com metadados, transcrição, laudo de autenticidade e cadeia de custódia. O partido também pede a aplicação de multa à AtlasIntel por supostas irregularidades ou, subsidiariamente, que a divulgação da pesquisa inclua ressalvas sobre o caráter “estimulativo” do questionário.
Em resposta às acusações, Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, defendeu a metodologia da pesquisa em suas redes sociais. Ele afirmou que “não há nenhum problema metodológico” e que a reprodução do áudio ocorreu após a conclusão do questionário, sem impacto nos cenários eleitorais. Roman ressaltou que a AtlasIntel mantém uma postura imparcial e que o teste de áudio e o questionário são instrumentos distintos, realizados em momentos e interfaces separadas.
Em nota oficial, o instituto reforçou que nenhum respondente teve acesso ao conteúdo do áudio antes ou durante o preenchimento da pesquisa, nem pôde alterar suas respostas após a submissão. A AtlasIntel se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos e alertou que “tentativas de desqualificar pesquisas por vias jurídicas, sem que haja fundamento técnico demonstrável, representam um risco ao debate público informado e à liberdade de imprensa”.


