Com o apoio do Governo do Distrito Federal (GDF), a peça teatral “DesdeSempre” abordará a violência de gênero, inspirada na clássica obra “Otelo” de William Shakespeare. As apresentações ocorrerão neste final de semana, com sessões abertas ao público no sábado (9) e domingo (10) no Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia. Estudantes da rede pública terão uma sessão exclusiva na sexta-feira (8).
As sessões abertas ao público acontecem às 20h de sábado e às 19h de domingo. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla. O espetáculo é uma iniciativa do Coletivo Artístico CeinCena, financiado pelo Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf) da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF).
“DesdeSempre” mescla ficção com relatos reais para discutir o combate à violência contra a mulher. A atriz Malu Guimarães explica que a montagem, iniciada em 2023, surgiu como resposta ao aumento de casos de feminicídio no Brasil, incluindo um recorde no DF. Segundo ela, o tema, presente desde o século XVII na obra de Shakespeare, permanece relevante e precisa ser mais discutido no teatro, oferecendo um espaço político para visibilizar as violências sofridas pelas mulheres.
A atriz Clarisse Fleury destaca o impacto educativo e social da peça, especialmente para os jovens. O espetáculo busca dialogar com adolescentes de 15 a 18 anos, muitos dos quais já estão expostos a discursos misóginos e conceitos como “red pill”, que fragilizam a autoestima e reforçam machismo estrutural. A iniciativa visa formar jovens com uma consciência crítica sobre questões de raça, gênero e classe, abordando-as de forma interseccional.
Para os alunos da rede pública, a sessão especial integra o Projeto Matilha — Teatro, Território e Periferia, que utiliza o teatro como ferramenta para promover debates e escutas sobre temas sociais importantes. Após a apresentação para os estudantes do Centro de Ensino Médio 04, Centro Educacional 06 e Centro Educacional 11, todos em Ceilândia, haverá um bate-papo com uma psicóloga e outros convidados. Anteriormente, essas escolas participaram de oficinas focadas em pertencimento, responsabilidade social, ciclos de opressão e violência de gênero.



