Quem passa pelo Jardim Zoológico de Brasília neste período de fim de ano pode conhecer de perto dois novos moradores do micário: João Paulo e Ana Maria, um casal de saguis-da-serra-escuro. A espécie está entre as mais raras do país e enfrenta alto risco de extinção. Os animais vieram de São Paulo e, ao chegarem à capital, passaram por uma série de avaliações clínicas, exames laboratoriais e acompanhamento veterinário, além de receberem reforço alimentar.
A empresária Alessandra Costa, de 31 anos, esteve no zoológico acompanhada da família e destacou a experiência como especial, principalmente por ser a primeira visita do filho ao local. Para ela, a proximidade com espécies ameaçadas ajuda a despertar a consciência ambiental. “Ter contato com esses animais ajuda a entender melhor a importância da preservação e do cuidado com a natureza”, comentou.
De acordo com o diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Wallison Couto, a liberação do casal para visitação só ocorreu após o cumprimento de todas as etapas de adaptação. Segundo ele, o processo seguiu critérios técnicos rigorosos, priorizando o bem-estar dos animais. “Agora, o público pode conhecer de perto uma espécie extremamente rara, o que reforça o papel do zoológico na conservação da biodiversidade”, explicou.
A chegada dos saguis faz parte de um programa nacional de conservação coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A chefe do setor de mamíferos do zoo, Hellen Cristina de Sousa, explica que o trabalho envolve monitoramento constante, manejo adequado e, futuramente, a possibilidade de formação de um casal reprodutivo, sempre respeitando as características naturais da espécie.
Segundo Hellen, os dois saguis foram resgatados em uma área urbana da Região Metropolitana de São Paulo. Após o resgate, passaram por um centro especializado, onde receberam cuidados específicos, alimentação reforçada e um período de recuperação antes de serem encaminhados definitivamente ao Zoológico de Brasília.
Ela também ressalta a importância do papel educativo do zoológico. “Além da conservação, o contato com o público ajuda a desmistificar a ideia de exploração e mostra que o objetivo principal é preservar espécies ameaçadas para as próximas gerações”, afirmou.
Processo de adaptação
O transporte dos animais foi realizado por meio de uma iniciativa solidária de uma companhia aérea, voltada ao apoio de projetos de conservação. Ao chegarem a Brasília, os saguis passaram inicialmente por quarentena no Hospital Veterinário, etapa essencial para prevenir a transmissão de doenças. Em seguida, o casal foi reunido em um espaço de adaptação, onde fortaleceu o vínculo antes de ser transferido para o micário, onde hoje pode ser visitado.
A tratadora Thaynara Kuhl explica que a rotina dos saguis é planejada para respeitar seus hábitos naturais. Eles costumam acordar por volta das 7h e recebem alimentação três vezes ao dia. Pela manhã e à tarde, consomem frutas e verduras, enquanto no final da manhã a dieta inclui insetos, respeitando o comportamento alimentar da espécie.
O recinto foi preparado para estimular comportamentos semelhantes aos do ambiente natural, com galhos, estruturas para escalada e folhas secas no chão, permitindo que os animais procurem alimento e se movimentem livremente.
Segundo Thaynara, os saguis demonstram cautela, mas não agressividade. “Eles observam bastante, ficam atentos, mas são tranquilos. Na verdade, costumam ter mais receio das pessoas do que o contrário”, relatou.
A equipe de tratadores acompanha diariamente a saúde, o comportamento e a alimentação dos animais. Qualquer alteração é rapidamente comunicada aos setores de nutrição e veterinária, garantindo atendimento imediato sempre que necessário. Ajustes no recinto também são feitos com frequência para melhorar o conforto e a qualidade de vida dos saguis.
Espécie ameaçada
O sagui-da-serra-escuro é classificado atualmente como uma espécie em grave risco de extinção. O agravamento da situação está ligado à destruição e fragmentação do habitat natural, crescimento urbano, competição com outras espécies, cruzamentos indevidos, tráfico de animais silvestres, além de doenças e acidentes.
Atualmente, o Zoológico de Brasília abriga apenas esses dois indivíduos da espécie. A expectativa é que, com o tempo, eles formem um casal reprodutivo de maneira espontânea, respeitando o ritmo e o comportamento natural dos animais.
Visitação e acesso
Para quem deseja visitar o Zoológico de Brasília, há incentivos neste período festivo. Durante as comemorações de Natal e Ano Novo, o transporte público coletivo do Distrito Federal funciona gratuitamente em datas e horários específicos. A medida integra o programa Vai de Graça, que oferece passagens gratuitas aos domingos, feriados e datas especiais.
Além disso, o programa Lazer para Todos garante entrada gratuita no Zoológico de Brasília e no Jardim Botânico aos domingos e feriados, ampliando o acesso da população a espaços de lazer e contato com a natureza.

