Uma iniciativa da Polícia Militar do Distrito Federal tem ajudado mulheres vítimas de violência doméstica a reconstruírem suas vidas com mais segurança e autonomia. O Programa de Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (Provid) atua acompanhando casos considerados mais graves, com ações de proteção, orientação e prevenção de novos episódios de violência.
Entre os serviços oferecidos estão visitas de acompanhamento às vítimas, monitoramento do cumprimento de medidas protetivas, atividades educativas e integração com órgãos da rede de proteção, como Justiça, assistência social e saúde. O objetivo principal é evitar que a violência se repita e reduzir casos de feminicídio.
História de superação
A babá Rosineide da Costa Almeida, de 37 anos, viveu por mais de duas décadas em um relacionamento marcado por agressões físicas e psicológicas. A situação mudou em janeiro de 2023, quando ela decidiu registrar uma ocorrência policial após um episódio de perseguição e ameaças.
Segundo Rosineide, o ex-companheiro não aceitava o fim da relação e chegou a persegui-la no dia do aniversário dela, colocando em risco a vida da família. Após denunciar o caso, ela conseguiu uma medida protetiva e passou a ser acompanhada pelo programa da PMDF.
Com o apoio das equipes, Rosineide recebeu orientações de segurança e passou a contar com visitas frequentes da polícia. Também teve acesso ao dispositivo Viva Flor, que permite acionar rapidamente a polícia em situações de risco.
Hoje, ela afirma se sentir protegida e acredita que mais mulheres precisam conhecer os mecanismos de apoio disponíveis.
Atuação preventiva
Criado para atender mulheres em situação de maior vulnerabilidade, o Provid tem ampliado sua atuação no Distrito Federal. Desde 2019, cerca de 115 mil mulheres já receberam algum tipo de atendimento por meio do programa.
Somente no último ano foram realizadas mais de 25 mil visitas de acompanhamento, além de centenas de ações de prevenção e integração com instituições da rede de proteção. Também foram realizadas triagens, visitas domiciliares e monitoramento de medidas protetivas.
Atualmente, o programa acompanha mais de mil famílias e está presente em 22 batalhões da Polícia Militar, garantindo atendimento em todas as regiões administrativas do DF.
Atendimento humanizado
De acordo com a coordenação do programa, o diferencial do Provid está no atendimento individualizado e no planejamento de segurança para cada caso.
Durante as visitas, os policiais orientam as vítimas sobre cuidados no dia a dia, como reforçar a segurança da residência, definir rotas alternativas de deslocamento e criar estratégias de emergência com familiares e vizinhos.
Além disso, o trabalho é realizado em conjunto com outros serviços da segurança pública, como o Copom Mulher, central criada para atender ocorrências de violência doméstica, e a Diretoria de Monitoramento de Pessoas Protegidas, responsável pela gestão do dispositivo Viva Flor e pelo monitoramento eletrônico de agressores.
Reforço na estrutura
Em 2025, o programa recebeu reforço operacional com a entrega de 27 novas viaturas, distribuídas entre as unidades da PMDF, incluindo o Batalhão Rural. O investimento permite ampliar o número de visitas e melhorar o acompanhamento das vítimas.
Segundo a Polícia Militar, o foco da iniciativa é garantir que as mulheres atendidas tenham condições de romper o ciclo de violência e retomar a vida com mais segurança.
Como acessar o programa
O atendimento pelo Provid pode ocorrer de diferentes formas. A principal é por meio do registro de ocorrência policial, que pode levar à abertura de investigação e à concessão de medida protetiva.
Também é possível procurar diretamente um batalhão da Polícia Militar que possua equipe do programa e solicitar acompanhamento.
Outra porta de entrada é o atendimento feito pelo 190. Em casos de denúncia de violência doméstica, a vítima pode receber orientações e encaminhamento para os serviços de proteção.
Canais de denúncia e atendimento
- 180 – Central nacional de atendimento à mulher
- 190 – Polícia Militar, para emergências ou violência em andamento
- 197 – Canal da Polícia Civil para denúncias anônimas

